sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Henry Sobel ( 1944 - 2019 )


O rabino Henry Sobel morreu hoje em Miami. Em 1975, Sobel se recusou a enterrar como suicida o preso político Vladimir Herzog, enfrentando a versão oficial das forças policiais que assassinaram o jornalista. Uma voz de coragem em tempos sombrios. Nesse país cada vez mais fascista, perdemos o humanista Henry Sobel. O rabino que se levantou contra a ditadura militar junto com Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Hélder... Nomes que não devemos esquecer...


Gugu Liberato ( 1959 - 2019 )


Nasci nos anos 80 e cresci nos anos 90. A única diversão que tínhamos era a televisão e foi nela que eu ( e o Brasil inteiro ) conheceu o apresentador Gugu Liberato ( e seu rival Fausto Silva) . Domingo em família era isso, era uma troca de canal absurda para tentar acompanhar as duas emissoras. Não vou entrar no mérito se o programa do apresentador era ou não sensacionalista ( a entrevista com PCC fake, dentre outras pérolas ).

Pq, se falarmos sobre isso, teremos de falar de TODA a tv brasileira. Gugu cresceu em um Brasil cujos maiores apresentadores eram Flávio Cavalcanti , Hebe Camargo, Chacrinha e Silvio Santos, três dos maiores nomes da nossa televisão. Assistiu a guerra pela audiência entre Flávio e Chacrinha e através de Silvio, concluiu a sua formação na telinha.

Repúdio as piadas acerca de sua morte ( como tenho visto aqui ), hoje nos despedimos de duas pessoas. O Augusto, filho e pai de família, e do Gugu Liberato. O cara que marcou época na televisão brasileira e que, agora , se juntou aos grandes que ele cresceu assistindo ( Sílvio ainda está conosco) . É justo de dizer que, morrem com ele, o jornalismo ( que já andava mal) e boa parte da tv brazuca. Seu desejo em vida será realizado, terá os seus órgãos doados.

Vá em paz, Augusto !

Fique tranquilo, pq o Gugu já habita a história da nossa TV.

domingo, 27 de outubro de 2019

"Meu Nome é Dolemite" | Filme marca o reencontro de Eddie Murphy com o seu público


Sou fã do Eddie Murphy, sempre o considerei um grande ator mesmo tendo feito várias comédias durante a sua carreira. Mas, Murphy tinha se afundado em filmes ruins desde sua grande performance em Dreamgirls de 2006 que havia lhe rendido indicações em diversas premiações incluindo o Oscar. Como fã, era triste ver um grande ator como Eddie Murphy cada vez mais perdido em sua carreira apelando para projetos mal elaborados, assim como Nicolas Cage se perdeu. Mas, isso ficou no passado.


"MEU NOME É DOLEMITE ( EUA, 2019) " é a cinebiografia do humorista Rudy Ray Moore e seu alter-ego Dolemite grande astro da Blaxploitation , fenômeno do cinema americano dos anos 70 e padrinho do rap. Esse é o projeto que Murphy tentou levar as telas durante uma década e meia e, curiosamente, tem um paralelo de perseverança com a história de Rudy que alcançou a fama já na meia-idade e, vejam, estamos falando da América dos anos 70.


O personagem parece que foi feito para Eddie Murphy, seu descontentamento com a vida que leva em uma loja de disco e a confiança em seu talento que os outros insistem em menosprezar é nítido em cada olhar e gesto ao falar, reparem no brilho em seus olhos quando ele mergulha nas ruas de Los Angeles ao pesquisar a vida daqueles cidadãos que a cidade faz questão de esquecer, é dali que nasce seu alter-ego. Ou na cena em que Rudy , sentado em sua sala, finalmente cria uma de suas rimas, vemos um trabalho diferente de Murphy a cada instante.


É como se Murphy tivesse voltado a ter gosto pela atuação, a direção de Craig Brewer é precisa nesse sentido, Eddie Murphy não aparece exagerado como em "O Professor Aloprado 2 : A Família Klump ( EUA, 2002)" , Brewer dirige Eddie com o mesmo cuidado que teria ao segurar uma pedra preciosa. Aliás, não só ele, o elenco desse filme é incrível, de Mike Epps, Craig Robinson, Tituss Burgess, passando pela maravilhosa Da’Vine Joy Randolph como Lady Reed e a hilária ( e a mais debochada performance do ano) participação de Wesley Snipes como D’Urville Martin. Snipes está engraçadíssimo como o ator e diretor de Blaxploitation, a química dele e Murphy é surreal.


"MEU NOME É DOLEMITE ( EUA, 2019) " é um filme vivo e cheio de cores, o figurino é assinado pela fantástica Ruth E. Carter, a vencedora do Oscar desse ano por Pantera Negra ( EUA,2018). Tudo isso ao som de uma trilha sonora que retrata bem a época e conta com o swing do ator e cantor Craig Robinson ( A Ressaca, 2010) que merece todas as palmas. No final, Dolemite fala sobre esperança, confiança e perseverança essa é a mensagem dita a plenos pulmões ( e com muitos palavrões ) no último frame do filme ao seu público, o grande reencontro de Dolemite com seus sonhos e podemos dizer também, o reencontro de Eddie Murphy com o seu público... e como é bom reencontra-lo... e que volta triunfal, Eddie.

PS: A versão dublada conta com o trabalho de Mário Jorge Andrade , dublador oficial de Eddie Murphy desde os anos 80. Mário faz um grande trabalho nesse filme e vale a pena conferir.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

As redes sociais e a síndrome da "vizinha fofoqueira"

Não sou de fazer isso mas, essa é a última.

Então, vamos lá:
Meu perfil sempre teve uma grande rotatividade, pessoas sempre vem e vão nessa página virtual ( como tudo na vida! ). Adicionam e um tempo depois me deletam ou eu as deleto devido a certos comportamentos que eu abomino ( preconceito de raça e classe social são os que mais me irritam). Seria pq resolvi não expor a minha vida pessoal nas redes e, por isso, as "pessoas" saem daqui frustradas por não saber o que acontece comigo ?

Não que eu seja famoso ou interessante ( acreditem, eu sei. Estou longe disso ! ), mas pra mim as redes sociais padecem da síndrome da "vizinha fofoqueira" que nunca perdia nada do que acontecia na rua. As redes sociais são isso, uma rua de um bairro qualquer onde as pessoas observam tudo, ou só a vizinha, ou, em alguns casos, uma grande mesa de bar onde todos falam ao mesmo tempo e vc tem a vontade de conversar com aquele(a) seu(sua) amigo(a) que está sentado(a) na ponta da mesa, mas não consegue pq o barulho da "falação" é ensurdesedor, até que um ou outro resolve chegar mais perto.

Nunca cheguei aos tais "mil amigos" nessa rede social, quanto mais "cinco mil", assumo, sou chato e irritante, porém jamais fui falso. Mas tanto aqui, quanto na vida real sou leal,fiel e relevo MUITAS coisas, por causa disso, amigos já me chamaram de bobo e "colegas" diziam que eu era "carente" ao confundir a minha boa intenção com as pessoas. Mesmo tendo recebido várias decepções, eu jamais deixei de ser educado com NINGUÉM. 
Conclusão: Vc nunca agradará a todos!

O fato é que, mesmo que a recípocra não tenha sido verdadeira em alguns caso, eu sempre lutei pelas pessoas que eu considero, fui e sou leal e fiel, vou relevando as coisas mas, quando desapego, é pra sempre. É um defeito meu? talvez sim. Eu assumo as consequências das minhas escolhas como sempre fiz. Isso não me faz menor e nem maior do que ninguém, mas estive lá, estendendo a mão.
Isso ninguém me tira.
Ah, se vc veio nesse blog "especular" sobre a minha vida, veio no lugar errado.
Abraços

terça-feira, 27 de agosto de 2019

MIB: Internacional diverte , mas é o mais fraco da franquia


MIB Internacional é o típico caso de projeto que parte de uma boa premissa e que se perde em sua execução. Referências aos filmes anteriores estão por toda parte , incluindo os Vingadores e várias piadas que movem o longa com um elenco sensacional que conta com nomes de peso como Emma Thompson e Liam Neeson. É justamente nesse terreno entre a nostalgia, referências e piadas que o filme tenta encontrar o seu lugar. O atores fazem o que podem com o roteiro raso e simples que o projeto apresenta, o vilão é muito previsível e os efeitos são bem convincentes. Não que os outros longas da franquia sejam clássicos shakespeareanos, mas sempre tinham algo novo a nós apresentar. A sensação aqui é de vazio, de que embora as coisas estejam em seus lugares...porém falta alguma coisa.


O filme não é ruim, chega a ser divertido e provoca algumas risadas na plateia, mas se comparado aos filmes anteriores ele deixa a desejar. MIB Internacional não se propõem a se aprofundar em seu próprio título ao contrário do que a campanha publicitária pregava. Seria legal ver como funciona as agências nos países que o filme nos apresenta e, quando digo países, não são muitos. Três no máximo se contarmos a agência inglesa. Pra mim, isso é um exemplo da má execução do projeto.


Se MIB Internacional escapa de ser uma bomba total, é graças ao elenco que sustenta o filme do início ao fim. Eu veria a Tessa Thompson e o Chris Hemsworth contracenando por horas a fio, eles tem uma química maravilhosa como poucos atores tem e, confesso, essa franquia ainda tem muita lenha pra queimar. Isso, é claro, se os roteiristas resolverem trabalhar direito. Eu não me importaria em ver Will Smith e Tommy Lee Jones fazendo uma ponta em um eventual 5° filme da série ou que Emma Thompson participasse mais da ação. Sei lá, só queria que a criatividade dos roteiristas fosse tão rica e infinita quanto o universo...


PS: Sim, Sérgio Mallandro ( o artista e não o juiz 😃😃😃) faz uma pequena participação no filme, confirmando o que todos "sabiam". A Sony deveria ter chamado o Dr. Rey , o Rogério Skylab, ET de Varginha dentre outros para uma ponta na versão nacional do longa. 😂😂😂😂😂😂

The Boys, outra grata surpresa de 2019


Embora The Boys seja totalmente diferente de Watchmen, a comparação entre as duas será inevitável. A nova série do serviço de streaming Amazon Prime é muito bem feita, não tem cara de série televisiva e, sim , de cinema. Não li a Hq original de Garth Ennis e Darick Robertson mas, o resultado na tela cumpre o seu propósito de entreter e prender a atenção dos espectadores , destaque para a química e atuações primorosas do elenco cujos os nomes mais famosos são Karl Urban, Elizabeth Shue e Harry Joel Osment, sim o garoto de " O Sexto Sentido" já é um homem. Ele faz uma pequena participação na série, mas muito importante, é bom vê-lo nas telas novamente. Elizabeth Shue, que saudade dessa atriz, Shue encarna a ganância das corporações através de sua misteriosa personagem, e ela entrega uma boa performance até o final.


Mérito do roteiro da série escrito por Eric Kripke que não deixa o projeto arrastado, são apenas oito episódios de 50 minutos de duração e o espectador não sente as horas passarem. Ela explora como seria se os super-heróis vivessem no nosso mundo real e atual e agissem como celebridades e influenciadores digitais e quais seriam os impactos disso. Sim, Watchmen tratou disso de forma séria e adulta, The Boys trata o tema de uma forma diferente usando a sátira , o sarcasmo e o politicamente incorreto com a mesma violência da obra de Alan Moore. Em suma, Watchmen é uma obra-prima inquestionável mas, The Boys se mostrou uma grata surpresa num ano em que assisti "Dark" , "Stranger Things 3" e "Cobra Kai 2". O destaque da série pra mim é o 5° episódio onde Kripke expõe as estranhas do radicalismo cristão norte-americano e seus falsos profetas. O diálogo entre Bruto e um dono de barraca de feira é como se o roteirista estivesse gritando a hipocrisia daquele evento em si.


O embate entre os personagens de Karl Urban ( Billy Bruto ou Billy Butcher) e o Antony Starr ( Capitão Pátria ou Homelander) respectivamente é outro destaque da série. Urban costuma compor bem seus personagens e, aqui, não economiza na emoção e na cara de mal, por vezes me lembrou o tom do Wolverine e, confesso, se a Marvel o escolhesse para interpretar o personagem ele se sairia muito bem. Seu Billy Bruto é cheio de camadas que vão ficando mais claras a medida que a série avança. O mesmo podemos dizer da grande surpresa do elenco, o ator Antony Starr , ele entendeu a complexidade do Capitão Pátria, seu personagem navega no limite entre o charme, sedução e a loucura. Caso perdesse a mão o projeto perderia muito sendo que seu personagem é o líder da equipe de super heróis nessa visão distorcida do Superman.


Os personagens da série são uma versão dos personagens da DC Comics, mas vez ou outra vc reconhece algo da Marvel na tela ( percebam como certa personagem tem todas as características da X-23 do filme Logan de 2017 ) , essa foi a sensação que tive, um mundo que mistura esses dois universos e as consequências dele mas, engana-se quem pensa que a série é só sobre isso. The Boys é uma sátira sensacional as grandes corporações, os meios de comunicação e entretenimento, aos radicais/ estelionatários da fé, ao capitalismo ( sim, tá lá ), a paixão pela violência ( mesmo que a explore bastante) e aos políticos. A série vai desconstruindo o papel dos "super-heróis" em nossa sociedade, expondo os bastidores inescrupulosos dos que estão no poder, e tecendo uma analogia à atual era das pós-verdades. Mesmo sendo uma crítica direta aos EUA ela vale para muitos países. No final, se vc gostou de Watchmen vai curtir essa série, agora se vc espera mais do mesmo do mundo dos super heróis , vai quebrar a cara.


PS: Essa é pra quem curte quadrinho nacional, o visual do Capitão Pátria me lembrou o do herói brazuca Capitão Sete.


A segunda temporada da série já foi confirmada pela Amazon, as gravações estão acontecendo mas, a série ainda não tem data oficial de estreia.

"Rocketman" é tudo que "Bohemian Rhapsody" não teve coragem de ser


Ontem a noite assisti, novamente, "Rocketman" a cinebiografia do astro Elton John e, poxa vida, que filme. De todos os erros, um dos grandes pecados de "Bohemian Rhapsody" foi não responder quem foi Freddie Mercury ( Rami Malek ). Saí da sessão com a sensação de que havia visto a versão midiática do artista/banda e de que o longa não tinha o menor interesse em se aprofundar nisso. Depois, li que o longa havia sido produzido por Brian May e Roger Taylor ( membros originais do Queen), e que eles tinham vetado grande parte da polêmica vida de Mercury e da banda. Isso explicou a saída do melhor Freddie Mercury que jamais veremos nas telas: Sacha Baron Cohen. O longa valeu pela nostalgia.

O mesmo não acontece em "Rocketman" , o longa é puro estudo de personagem e mergulha na alma do artista tentando descobrir quem ele realmente é. Quem é Reginald Kenneth Dwight ? Sim, o roteiro se preocupa em responder essa questão e com bastante interesse. Todos os conflitos do personagem estão lá, escancarados na tela, seus medos, angústias, inseguranças, a descoberta da homossexualidade (e a aceitação dela), amores, dores, arrogância, excessos, complexos, carências, vícios, talento , etc, etc, etc, etc... e sua música. O artista fez questão de não se esconder de seu público e aprovou o roteiro baseado em sua vida. Como o próprio Elton John comentou: “Eu não levei uma vida apropriada para menores”.

Assim acompanhamos o conflito familiar crescer na tela, a busca por aceitação, a entrada na escola de música, o encontro de almas com o seu parceiro Bernie Taupin ( brilhantemente vivido por Jamie Bell ), o sucesso, os amores, o vício , a queda e ascensão de Elton John que, aqui, ganha vida pelo belo trabalho de Taron Egerton que canta TODAS as músicas do longa sob a direção apurada de Dexter Fletcher ( que finalizou o longa do Queen). A diferença é que, sem a pressão que "Bohemian Rhapsody" sofreu por parte de membros da banda, Fletcher consegue estabelecer uma conexão íntima com o público ao decidir não esconder os "defeitos" de seu protagonista e transformou a sua narrativa em algo digno do artista retratado.

E se você notou que usei muito o termo "não esconder", é pq esse cuidado com a veracidade dos fatos refletiu na qualidade do longa, se Malek ganhou o Oscar pelo trabalho em "Bohemian Rhapsody", o trio Egerton/Fletcher/Elton John também merecem indicações em todos os prêmios que virão. A performance de Taron Egerton é cheia de carisma , detalhes e um cuidado que, novamente, refletem o talento na tela. Destaque especial para as crianças (Kit Connor e Matthew Illesley) que interpretam o artista e que todas as cenas me emocionaram, em particular uma das últimas cenas na reabilitação me levou as lágrimas. No fundo , "Rocketman" é tudo que "Bohemian Rhapsody" não teve coragem de ser. Fico feliz pelo Elton e triste pelo Freddie, ele merecia mais.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Em Blade Runner , Rutger Hauer improvisou um dos monólogos mais belos da história do cinema


"All those moments will be lost in time, like tears in rain." 

Rutger Hauer , que nos deixou hoje aos 75 anos, improvisou essa fala em#BladeRunner . Poético e impactante, o monólogo improvisado deu mais vida e profundidade ao seu personagem no filme de Ridley Scott e se tornou um dos mais belos da história do cinema.

 Dentre os seus trabalhos, o papel mais icônico foi na clássica ficção científica de Ridley Scott, "Blade Runner - O Caçador de Androides" de 1982,no qual viveu Roy Batty, líder dos replicantes.
Na última cena de "Blade Runner", o personagem de Hauer profere um dos monólogos mais bonitos da história do cinema, na minha opinião : "Eu vi coisas que vocês não imaginariam. Naves de ataque em chamas ao largo de Órion. Eu vi raios-c brilharem na escuridão próximos ao Portal de Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer."
Viva Rutger Hauer !!!!

Assista a cena abaixo :




PS: Que ironia da vida : Rutger Hauer morrer justamente em 2019, o mesmo ano em que o maior personagem de sua carreira encontrou o seu destino na ficção, numa das cenas de morte mais poéticas do cinema.

domingo, 14 de julho de 2019

Dark é uma grata surpresa fora da bolha hollywoodiana


Quem me conhece, sabe da minha paixão por Stranger Things e de como a série é uma declaração de amor a uma década cujo o cinema foi bem importante para minha geração. Pois bem, mantenho o que eu disse, mas Stranger Things agora divide o lugar em meu coração com outra série da Netflix, Dark.




Dark é o tipo de obra que é, por si só, um murro no estômago nas séries ficção científica . E mais interessante, não é uma produção americana, é alemã. Além do roteiro ser espetacular , o elenco é surreal ( sem trocadilhos) de tão bom, os atores e atrizes, mesmo os mais jovens, são muito bons mesmo. A direção de arte, os figurinos e a recriação de época é incrível, percebam como o figurino de Jonas lembra o uniforme de uma instalação que será muito importante para a trama.


"Não é estranho que nós sentimos a maior aversão justamente às pessoas que são mais parecidas com nós mesmos?" essa frase é dita em certo momento por um certo personagem.

A série mexe em vespeiro principalmente ao utilizar conceitos teóricos da Física, Física Quântica , teoria das cordas ( teoria- M) baseado nos trabalhos de Hawking ( conjectura de proteção cronológica ), Einstein e Rosen , a lei da causalidade, a filosofia de Friedrich Nietzsche e outros elementos que se misturam aos dilemas éticos que, antes de percebermos se à trama é verossímil ela problematiza nossas opções de soluções nos fazendo pensar até o último segundo de projeção. Abrindo espaço para o espectador criar várias teorias baseado nos acontecimentos que a série nos apresenta, e são muitos.


E eu entendo parte do estranhamento gerado pela série, ela é fruto de uma linguagem e estética completamente diferente das produções americanas que estamos acostumados, mesmo aquelas com o padrão Netflix. Sua atmosfera é muito densa, a edição arrastada e uma trilha sonora muito profunda e pesada , a decisão da direção é muito acertada, em certo momento podemos ouvir uma variação do som de "tique-taque" que fará sentido nos episódios finais das duas primeiras temporadas. As referências a década de oitenta e a um filme de aventura protagonizado por um jovem e um cientista também estão presentes na série. Talvez essa seja a comparação com o universo da jovem Onze.




Se Stranger Things tem as cores e o espírito juvenil pulsando na tela , Dark tem a maturidade. Por isso, pra mim, as duas séries se completam de uma maneira incrível . E tenho que agradecer a Netflix, eu jamais conheceria um material alemão tão bom quanto esse. E digo mais, se tivesse o mesmo destaque que Game of Thrones , Westworld ou mesmo Stranger Things cujos os produtos são americanos, essa série já teria a mesma base de fãs do que essas que citei acima. É o tipo de produto que se você piscar, perde informações muito importantes. E só isso, já me ganhou de cara...


terça-feira, 25 de junho de 2019

O triunfo da ignorância



Algumas das várias perguntas dirigidas ao jornalista americano Glenn Greenwald hoje durante a sabatina na câmara dos deputados em Brasília foram essas aqui :

" O Sr. tem uma conta no Twitter. Pq algumas postagem do senhor são em inglês? Pq o senhor se comunica lá em inglês ? O que o senhor pretende denunciar ao mundo ? "

"O senhor é um espião russo?"

"O senhor recebe salário de Vladimir Putin ?"

E foram mais de seis horas de ataques pessoais e perguntas idiotas quanto essas acima, feitas em sua totalidade pelos poucos deputados da base governista que resolveram ficar lá, pq a grande maioria fugiu do debate.

Sabem a conclusão que tiro disso ?

1° . Vivemos a era do orgulho da ignorância.

2°. A cada dia fica provado o quanto nossos professores e professoras são heróis nesse país ao ter que lecionar com poucos recursos e ainda por cima aguentar pais de alunos que votaram 17 e acreditam em bobagens como a terra plana e seus derivados.

3°. Ainda existem profissionais / patriotas que lutam pela soberania nacional. Advogados, professores, cientistas, empresários , demais trabalhadores e jornalistas como o Gleen que, mesmo tendo nascido na América, provou ser mais brasileiro do que muitos canalhas que estão em Brasília votando contra o próprio povo ou mesmo aquele pessoal que bateu panela nas varandas gourmet país afora.

Parabéns ao Gleen pela coragem!

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Rubens Ewald Filho 1945 — 2019


Perdemos Rubens Ewald Filho , nosso maior crítico. Em uma época em que nosso cinema é atacado por todos os lados por forças obscuras, a voz de Rubens fará muita falta. É graças ao seu trabalho e do Pablo Villaça que me tornei cinéfilo. Grande perda para o cinema brasileiro... grande perda.
Vá em paz, mestre Rubens...

terça-feira, 4 de junho de 2019

Opinião | Em que momento Anakin Skywalker se tornou o temível Darth Vader ?



Alguns dias atrás, durante uma saidinha para pagar contas, ouvi uma discussão de um grupo de amigos na casa dos trintas anos a respeito de Star Wars. O motivo do papo, era para saber qual foi a hora exata que Anakin Skywalker se tornou o temível Darth Vader, talvez o maior vilão da história do cinema. A moça dizia que Anakin se tornou Vader , quando salvou a vida do senador Palpatine ao cortar a mão do mestre Mace Windu durante uma luta. Outro dizia , que o jovem Skywalker cedeu ao lado sombrio quando invadiu o templo Jedi e assassinou a sangue frio todos os jovens Padawans ( crianças).


O último deles , dizia com convicção que Anakin Skywalker se tornou Vader , quando tentou matar a sua esposa a Senadora Padmé Amidala , acreditando que ela estava do lado de Obi-Wan Kenobi , e quando Anakin perde a luta para seu antigo mestre, e seu corpo é resgatado pelo império que o reconstrói ao cria o figurino clássico,esse é o momento exato em que Darth Vader nasce. Todos esses acontecimentos ocorreram em Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith Afinal, qual seria o momento exato em que Vader nasceu ?





Antes de prosseguir, quero deixar claro que essa é apenas uma opinião e gostaria muito de ler outros pontos de vista. Fiquei curioso e sendo fã de Star Wars, resolvi revisitar a saga dos Skywalker. Então, analisando somente os filmes e não levando em conta o universo expandido (do qual sou fã), parece que a pista está no filme "Star Wars Episódio II: Ataque dos Clones ( EUA, 2002 ) " duas cenas me chamaram a atenção e parece que o diretor George Lucas já tinha dado uma pista do momento em que Anakin Skywalker havia se tornando Darth Vader, ainda que "sutilmente". 

Vamos as cenas.



Ao saber que sua mãe foi capturada pelo "povo da areia", Anakin parte para resgatá-la e a encontra bastante ferida e fraca, quando finalmente a liberta , ela não tem mais forças para se levantar e demora alguns segundos para reconhece-lo. O jovem Jedi diz que a ama e sua mãe fica feliz ao vê-lo, porém, antes de poder terminar a frase "eu te amo meu filho !", ela morre em seus braços sem que pudesse conclui-la .




Nessa hora, totalmente tomado pelo ódio, Anakin Skywalker mata o "povo da areia" e volta com o corpo de sua mãe para poder enterra-lo. Mas não, não é nessa hora que Vader nasce. Mais adiante, George Lucas nos brinda com uma cena muito bem construída em que Anakin está em sua oficina lamentando a morte da mãe até que Padmé chega para tentar consola-lo . Reparem na arquitetura da cena, vejam como o cenário é escuro e cheio de aparelhos com luzes verdes, azuis, vermelhas e amarelas que lembram o figurino de Lord Vader na trilogia original, tudo nessa cena nos remete ao futuro do maior vilão do cinema.





Amidala o pressiona e novamente tomado pelo ódio, ele decide contar a sua amada Padmé exatamente o que aconteceu, e quando ele diz com toda a sua sua fúria "Eu matei todos eles!!! Eu os odeio!!!", finalmente ouvimos pela PRIMEIRA vez nas prequels* o tema original de Vader ( Não ouvimos essa trilha quando Anakin mata o povo da areia) , nessa hora, Lucas praticamente diz : "EI, VEJAM ! Vejam o nascimento de Darth Vader ! " a cena é realmente linda, muito bem feita e importantíssima na construção do personagem. E talvez, tenha passado despercebida graças aos acontecimentos do Episódio III onde o jovem vilão já está estabelecido e comete várias atrocidades como a cena no templo jedi.



E vou explicar porque esse momento é muito importante. Se notarem, em ambas as cenas o jovem Anakin vivencia os quatro sentimentos que levam qualquer jedi ao lado sombrio, e duas vezes. Na primeira o medo se vai ou não encontrar a mãe viva, depois o sofrimento e raiva em perde-la novamente e em seguida o ódio ao matar os assassinos de sua mãe. Na cena com Padmé ele vivencia os mesmo sentimentos e com maior intensidade, a principio ele está sozinho em sua oficina visivelmente sofrendo a perda da mãe, depois ele tem medo de se abrir com a sua amada e ao contar o que aconteceu ele narra os fatos com um misto de raiva e ódio. Por isso, Ankin  / Vader é um personagem trágico e que encontra a redenção apenas no Episódio VI, e se torna um dos maiores vilões do cinema.




"O medo é o caminho para o lado sombrio. O medo leva à raiva, a raiva leva ao ódio e o ódio leva ao sofrimento. Treine a si mesmo a deixar partir tudo que teme perder. " , o mestre Yoda havia dito essa frase em Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999) . Essa frase explica a essência da história de Vader na minha opinião e são esses pequenos detalhes que o cinema nos dá que o torna tão apaixonante...

* Prequels, no caso do cinema, são filmes cuja trama se passa em um momento anterior a outro filme já lançado, geralmente explicando a origem de algo que não foi totalmente esclarecido na história original.


Vejam as cenas abaixo :

Anakin encontra a mãe :


O nascimento de Vader ?


segunda-feira, 13 de maio de 2019

A grande Doris Day se foi ...


Hoje o cinema se despede de Doris Day, vítima de pneumonia, aos 97 anos de idade. Doris Mary Ann Kappelhoff nasceu em 1922 na cidade americana de Cincinnati, filha de um professor de música e uma dona de casa. Ela atuou em filmes famosos nos anos 50 e 60,  como "Confidências à Meia-Noite" (1959) e "O Homem que Sabia Demais", este último uma das obras-primas de Alfred Hitchcock.


Em 1989, ganhou o prêmio especial do Globo de Ouro, chamado Cecil B. DeMille, pela sua carreira. Também venceu três vezes o Globo de Ouro, na categoria atriz favorita do cinema mundial. Em 2004, foi condecorada pelo então presidente americano George W. Bush com a Medalha Presidencial da Liberdade, a honraria civil mais importante dos EUA.


2019 marcou também o aniversário de 60 anos daquele que é o maior sucesso da carreira cinematográfica de Day: "Confidências à Meia-Noite" (1959), o filme pelo qual a atriz ganhou sua única indicação ao Oscar, e um dos três longas que fez ao lado do amigo Rock Hudson. "Eu me divertia tanto trabalhando com o meu amigo, Rock", relembra Day na entrevista ao site The Hollywood Reporter . "Nós rimos muito enquanto filmávamos as três produções que fizemos juntos, e continuamos grandes amigos depois disso. Eu sinto falta dele".


Hudson morreu em 1985, aos 59 anos, em decorrência de complicações da AIDS. O astro, que foi uma das primeiras celebridades a chamar atenção publicamente para a doença, escondeu sua homossexualidade por toda a carreira. Quando foi descoberto que ele tinha AIDS e era homossexual ela foi uma das poucas pessoas que continuou do lado dele.

Em 2011, Doris, então com 89 anos, produziu seu 29º álbum musical, My Heart. Morava em Carmel (Califórnia). Em 2014, em seu aniversário de 92 anos, cumprimentou seus seguidores de sua casa e também apareceu em público alguns dias mais tarde, em um ato de sua fundação em defesa dos animais. Foi a última vez que foi vista em público. Doris se foi mas, mesmo com o passar dos anos, o tempo nunca lhe roubou o belo sorriso...


Fonte: The Hollywood Reporter

terça-feira, 7 de maio de 2019

A bela amizade de Robin Williams e Christopher Reeve


Dustin Hoffman e Robin Williams atuaram juntos no filme Hook - A Volta do Capitão Gancho de 1991. Hoffman estudou teatro ao lado de Gene Hackman e ambos ouviram de seus colegas de classe e professores de teatro ,que NÃO teriam sucesso na vida. Diziam que estavam fadados ao fracasso... O curioso é que Williams ouviu a mesma coisa dos amigos e professores no ensino médio e na escola de teatro. O único amigo que acreditava no sucesso dele era um tal de Christopher Reeve ... sim, isso mesmo! Robin Williams era amigo íntimo do Superman .



Os dois se conheceram quando eram estudantes de teatro e companheiros na Julliard,uma escola especializada no ensino das artes, em Nova York. Antes de se tornarem famosos, eles prometeram um ao outro que quem estivesse bem iria cuidar do menos afortunado. Mas ambos se tornaram bem sucedidos em suas carreiras, e continuaram amigos ao longo dos anos. Após o acidente de Christopher, Robin continuou a ficar ao seu lado...
Christopher e Dana Reeve
Quando sua operação mais grave se aproximava (Junho de 1995) , Christopher relatou:” foi assustador para suportar …. eu já sabia que eu tinha apenas uma chance de cinqüenta por cento de sobreviver à cirurgia ”…. Então, em um momento especialmente sombrio , a porta se abriu e correu um sujeito atarracado, com um chapéu azul e um vestido amarelo e óculos, falando com um sotaque russo. O homem anunciou que ele era um proctologista e estava indo para realizar um exame retal em Reeve. Era Robin Williams, reprisando seu personagem do filme nove meses. Reeve disse: “Pela primeira vez desde o acidente, eu ri!

No decorrer dos anos, Robin cobriu todos os custos do hospital que a família de Reeve não conseguiu cobrir. …”Meu velho amigo ajudou-me saber que de alguma forma eu ia ficar bem…”
Robin também se tornou muito envolvido dentro da "The Christopher & Dana Reeve Foundation " . Williams estava sempre ao lado de Christopher ao longo de sua luta incrível com quadriplegia, até o fim. Reeve morreu em 10 de outubro de 2004 aos 52 anos, Robin ajudou Dana Reeve esposa de Christopher a levantar fundos para "The Christopher & Dana Reeve Foundation " que financiava projetos de organizações que atuam com pessoas com paralisia.



Infelizmente , dois anos depois, sua esposa, a atriz Dana Reeve, com quem ele se casara em 1987, acabou falecendo vítima de um câncer. Em 2006, o filho mais novo do ator ficou órfão de pai e mãe. Williams então adotou legalmente o menino Will Reeve, e o criou como um filho. Christopher Reeve tinha outros dois filhos, Matthew e Alexandra do primeiro casamento com a agente de moda Gae Exton, eles tinham uma boa relação com o pai e foram criados pela mãe.
Zak Williams e Robin  Williams em 2012
No início da carreira de ambos, Christopher fez mais sucesso e ajudou Robin, que após o acidente, começou a retribuir a antiga ajuda. Exatos dez anos depois da morte do amigo, em 11 de agosto de 2014, Robin Williams sucumbiu a uma forte depressão, e acabou cometendo suicídio. Will, que na época estava com 22 anos, tornou-se herdeiro de seu patrimônio, dividido igualmente entre ele e os dois filhos sanguíneos de Robin ( entre eles Zak Williams ) , que também deixou um valor significativo para a Fundação “The Christopher & Dana Reeve Foundation” em seu testamento.
Matthew ReeveAlexandra Reeve Givens e Will Reeve na fundação que leva o nome de seu pai.
Existem encontros que se iniciam no nosso mundo físico e seguem adiante, até a eternidade.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Ausência



Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 30 de abril de 2019

Fugindo dos seres perfeitos



Fugindo dos ditos "seres perfeitos" e de seus padrões pré-impostos . Aos seus olhos, tudo que não se encaixa em seus "selos de qualidade" é tido como anormal, feio e marginal. Não há espaço pra nada que se aproxime do que é ser humano, suas dores, angústias e pequenas felicidades. Através de seus "padrões e selos de qualidade " abre-se espaço para atitudes repugnantes como o preconceito e suas diversas ramificações.
Nao me julgo perfeito e prefiro ficar do lado de cá...